Nessa noite chuvosa me recorre pensar e só pensar: mais os pensamentos já não são decorrentes e nem presentes, se perderam na água, foram levados pela chuva, já não quero mais pensar, me expor, revelar-me com palavras, quero a quietude de um dia de frio, cobertas, sono, filme, quero pairar fora de mim e assim sem nada, sem pensar e preocupar-se com amanhã que por sinal já é hoje, nas conseqüências de algumas mancadas, no gelo de muitos medos, nas facetas de angustias que me tomam pela incerteza das respostas, mais como um dia de chuva curtirei aquele bom momento a lembrança presente de quão bom é um dia de frio, um dia que tudo pode parecer certo, tranqüilo, seguro, que a minha cabana seja o cobertor, que o calor seja do meu corpo e que os dias de chuva sempre venham para acalmar a alma e lavar as inseguranças de um dia comum.
Gabriela Andrade

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